Pesquisadores querem reconstruir a Internet
02/05/2007 - 10:54
 
 
     
 
 
Leonard Kleinrock demonstra como foi feita a primeira comunicação via Internet com a ajuda de um IMP (Interface Message Processor) em seu escritório na Universidade da Califórnia.
   

Ainda que a Internet tenha levado quase quatro décadas para chegar ao seu estado atual, alguns pesquisadores acadêmicos, com o auspício do governo federal norte-americano, querem reestruturar tudo e começar de novo. A idéia pareceria inconcebível, até absurda, mas muitos crêem que a estratégia de "apagar e começar de novo" representa a única maneira de atender verdadeiramente aos desafios de segurança, portabilidade e outros temas que surgiram desde que Leonard Kleinrock, um professor da Universidade da Califórnia (Ucla), ajudou a supervisionar a primeira troca de textos significativa entre dois computadores, em setembro de 1969.


A Internet "funciona muito bem em muitas situações, mas foi desenhada com premissas completamente diferentes", disse Dipankar Raychandhuri, professor da Universidade de Rutgers, que supervisiona os projetos de reestruturação. "É uma espécie de milagre que ela siga funcionando bem hoje".

Agora que a rede não está mais limitada pela lentidão das conexões ou dos processadores nos PCs, nem pelos altos custos de armazenamento de dados, os pesquisadores consideram ter chegado o momento de reformular a arquitetura subjacente da rede, um passo que implicaria a necessidade de substituir os equipamentos existentes e de reprogramar o software para encaminhar melhor o tráfego do futuro sobre os canais disponíveis.

Até mesmo Vinton Cerf, um dos 'pais' fundadores da Internet, que ajudou no desenvolvimento e nas técnicas para as chaves de comunicação, disse que a iniciativa de reforma é "saudável em geral", porque a tecnologia atual "não satisfaz todas as necessidades".

Mas para qualquer reconstrução, um dos desafios consistirá em alcançar o equilíbrio entre os interesses de vários grupos. Na primeira vez, os pesquisadores puderam trabalhar em paz dentro de seus laboratórios. Desta vez, a indústria tem uma influência mais importante, e as autoridades querem que sejam levadas em conta suas necessidades de intervenção.

Não há evidências de que estes grupos já estejam atuando, mas uma vez que qualquer investigação pareça promissória, "inúmeras pessoas vão querer participar no desenho", disse Jonathan Zittrain, professor de Direito afiliado às universidades de Oxford e Harvard.


Fonte: Associated Press